Terça-feira, Maio 30, 2006

À morte

Morte, minha Senhora Dona Morte,
Tão bom que deve ser o teu abraço!
Lânguido e doce como um doce laço
E, como uma raiz, sereno e forte.

Não há mal que não sare ou não conforte
Tua mão que nos guia passo a passo,
Em ti, dentro de ti, no teu regaço
Não há triste destino nem má sorte.

Dona Morte, dos dedos de veludo,
Fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me às asas que voaram tanto!

Vim da Moirama, sou filha de rei,
Má fada me encantou e aqui fiquei
À tua espera... quebra-me o encanto!


Florbela Espanca

3 Comments:

Blogger João Mãos de Tesoura said...

A vida são 2 dias, a morte nem por isso...

8:49 PM  
Anonymous Anónimo said...

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12:03 AM  
Anonymous Anónimo said...

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11:45 PM  

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